Cuidados com a pele durante a radioterapia

Radiocare Centro avançado de Radioterapia

A radiodermite é definida como uma lesão de pele e dos seus anexos provocada pelos raios X ou por outras radiações ionizantes. É popularmente conhecida como a “queimadura de pele” causada pela radioterapia.  Diferente do senso comum, a radiodermite não pode ser prevenida pelo uso de cremes, mas suas consequências podem ser atenuadas por medicamentos tópicos e outros cuidados.

O dano à pele é a consequência final de uma cascata de eventos que se inicia com a interação da radiação com a água dentro das células do organismo e a produção de radicais livres. Esses radicais livres interagem com o DNA das células, interrompendo sua renovação e produzindo inflamação local. A intensidade da radiodermite pode ser pouco perceptível ou chegar até ao limite de uma queimadura complexa. Atualmente, são classificadas em graus, de acordo com a severidade da lesão. São eles:

  • Grau I: avermelhamento leve ou descamação seca da pele, que podem ser associados a prurido (coceira) e quedas de pelos ou cabelos.
  • Grau II: avermelhamento moderado e edema intenso, que podem ocasionar uma descamação úmida limitada às dobras da pele. Essa descamação pode estar associada à dor local.
  • Grau III: descamação úmida extensa em outras localizações e inchaço no local, inclusive com formação de bolhas.
  • Grau IV: necrose cutânea ou ulceração de toda espessura da derme, podendo estar associadas a sangramento, dor e infecções secundárias.

Não se conhecem todos os fatores de sensibilidade ou resistência natural que diferenciam pessoas que recebem certa dose de radiação, mas é sabido que cada um pode reagir de maneira diversa. Com o avanço tecnológico da radioterapia, essas reações diminuíram bastante. A energia utilizada nos aparelhos atuais minimiza a dose na pele. Entretanto, outros fatores, tais como a anatomia da paciente e dados clínicos da doença podem influenciar no planejamento, na forma de realizar a radioterapia e, consequentemente, na intensidade dos sintomas apresentados.

Existe um grande número de compostos que visa a proteção à radiodermite, como aloevera, andiroba, camomila, calêndula, trolamina, entre outros. Até hoje, somente os estudos com cremes à base de corticoides, medicamentos administrados na forma de cremes e pomadas, demonstraram eficácia na prevenção da mesma. Infelizmente, os corticosteroides não são isentos de efeitos indesejáveis e, por isso, devem ser utilizados somente quando necessário e indicado por um médico.

Algumas recomendações gerais podem ser válidas nesse cenário:

  • Hidratação oral,
  • Limpeza da região irradiada com água em temperatura ambiente e sabonete neutro,
  • Não aparar pelos com lâminas,
  • Evitar roupas sintéticas,
  • Priorizar roupas de algodão,
  • Reduzir contato com vapores e não aplicar pomada, loção, creme ou perfume sem recomendação médica.

Por fim, converse com seu médico. A avaliação dele é essencial para um diagnóstico correto, classificação e posterior tratamento.

 Artigo escrito por Ana Paula de Freitas P. Fonseca, Radio-oncologista da Radiocare

“A opinião contida nesse Blog não necessariamente representa a opinião da Radiocare, não a vincula, e é de responsabilidade pessoal e exclusiva de quem a escreveu.”

Combatendo o câncer de forma lúdica

Radiocare Centro avançado de Radioterapia

Encarar o tratamento do câncer não é tarefa fácil, independente da idade do paciente. Para a criança, esse processo pode tomar dimensões ainda maiores e assustadoras. O momento da sessão de radioterapia, por exemplo, pode deixá-la nervosa, afinal ela deve permanecer na sala de aplicação sozinha e sem se mover. E, se o tumor diagnosticado se encontrar na cabeça ou pescoço, é necessário que ela use uma máscara para receber a dose de radiação.

Percebendo o medo de muitas crianças e visando facilitar o atendimento, a CTR – Centro de Tratamento de Radioterapia encontrou uma maneira lúdica para ajudá-las a enfrentar o tratamento do câncer. A equipe começou a personalizar as máscaras do tratamento de radioterapia com personagens de filmes e desenhos infantis. Afinal, nesse universo, não há nada que os super heróis não consigam vencer. Nas animações, tudo se torna possível e bem mais fácil de lidar.

O fato de ter que colocar a máscara geralmente assusta a criança, já que, para garantir que a cabeça fique imóvel, o equipamento deve estar bem ajustado ao rosto. Foi presenciando uma reação assim que a equipe médica da CTR se mobilizou para fazer a máscara. Logo em sua avaliação, o pequeno Arthur, de apenas cinco anos, ficou muito receoso quanto o tratamento e os profissionais previram que ele seria bastante resistente. E, quando a criança não aceita realizá-lo, a saída é recorrer à anestesia,  que dificulta todo o processo, pois exige que ela permaneça em jejum.

Para evitar que isso acontecesse com o Arthur, eles tiveram a iniciativa de pintar a máscara para distraí-lo. Ao perguntar sobre qual super herói mais admirava, o garoto contou que não tinha nenhum específico, mas que amava o filme “Carros”. Assim, foi feita uma arte com a imagem do personagem “Relâmpago McQueen” em cima da máscara. Quando ele viu, foi emocionante, ficou super encantado.  Agora, chega à clínica muito bem humorado, abraça os profissionais, entra sozinho na sala de tratamento e fica quietinho durante todo o procedimento.

A inspiração para criar a máscara veio do INCA, onde a radio-oncologista Bruna Bonaccorsi trabalhou por três anos. A máscara é composta por material termoplástico e a pintura é feita com guache hipoalergênico, que não oferece nenhum tipo de risco a saúde. A ideia dos radio-oncologistas é que, daqui pra frente, todas as crianças que forem tratadas lá possam escolher um super herói. Uma atitude simples que faz muita diferença e o que torna o que era difícil e doloroso em algo fácil.

Artigo escrito por Hipertexto, Comunicação Empresarial. 

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Braquiterapia de próstata – uma opção no tratamento curativo do câncer de próstata

Radiocare Centro avançado de Radioterapia

A braquiterapia de próstata é uma forma de tratamento oncológico curativa para o câncer da próstata que tem demonstrado resultados similares a cirurgia e até mesmo superior a radioterapia tradicional em algumas situações. Durante o procedimento são inseridas fontes radioativas, de forma permanente ou temporária, na próstata e ao seu redor, com intuito de matar ou esterilizar as células cancerosas. O tratamento pode variar de acordo com o tipo de radiação utilizada e se será exclusivo ou associado com radioterapia externa.

Conheça os dois tipos:

Braquiterapia permanente: também chamada de baixa taxa de dose, envolve o implante definitivo de sementes radioativas, que liberam a radiação lentamente, ao longo dos meses subseqüentes. Nessa forma de tratamento, geralmente são utilizados sementes semelhantes a “grãos de arroz”, que nada mais são que minúsculos cilindros metálicos contendo o elemento radioativo. No Brasil é utilizado, normalmente, o Iodo 125.

Braquiterapia temporária: as fontes radioativas são inseridas por um robô, que controla precisamente o tempo da fonte em cada posição dentro da próstata. Nesse procedimento a radiação é depositada durante o tempo que a fonte radioativa está inserida e, uma vez terminado o procedimento, não há mais radiação no paciente. Também é chamada de braquiterapia de alta taxa de dose.

O intuito de ambas as técnicas é curar o câncer ou aumentar as chances de cura do tratamento planejado. As duas possuem vantagens e desvantagens e a indicação depende de vários fatores que são avaliados pelo radio-oncologista assistente, médico especialista no uso das radiações terapêuticas. Trata-se de uma especialidade médica pouco conhecida no Brasil, mas extremamente importante no tratamento dos diversos tipos de câncer.

A braquiterapia tem mostrado resultados similares à cirurgia no tratamento do câncer de próstata. Em algumas situações, as chances de cura são até mesmo superiores quando é utilizada a braquiterapia asssociada à radioterapia externa se comparada à radioterapia externa isolada.

Os riscos da braquiterapia são parecidos com os riscos das outras modalidades de tratamento do câncer de próstata. De uma maneira geral e, se bem selecionados os pacientes, o risco de incontinência urinária tende a ser menor que a cirurgia, assim como da disfunção erétil ou impotência sexual. Infelizmente, o risco de dano ao trato gastrointestinal, tais como o reto, é maior quando comparado à radioterapia externa isolada ou a cirurgia radical. A chance de complicações graves, tais como fístulas e perfurações é muito baixo, historicamente em torno de 0,5%. Entretanto, essas taxas têm sido menores em estudos mais recentes.

A braquiterapia pode ainda não ser a solução perfeita com risco zero de complicações e chance de cura de cem por cento, mas certamente é uma técnica que oferece algumas vantagens em relação ao tratamento cirúrgico ou de radioterapia externa isolado e possui baixa taxa de complicações severas. O médico Radio-oncologista é o principal especialista no uso da braquiterapia. Procure saber a respeito e se o seu caso pode ser candidato à técnica.

Artigo escrito por Dr. Leonardo Pimentel, Radio-oncologista da Radiocare

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Imunoterapia: mais uma arma contra o câncer

Radiocare Centro avançado de Radioterapia

Na difícil luta contra o câncer e em busca da cura, mais uma arma desponta no arsenal terapêutico, a imunoterapia. Novas drogas têm surgido e resultados animadores têm sido demonstrados em estudos realizados em diversas partes do mundo, em diferentes tipos de tumores.

A imunoterapia é uma forma de tratamento biológico em que medicações específicas estimulam o sistema imunológico do paciente, com o objetivo de combater e destruir as células tumorais. Essas substâncias modificam a resposta imune do organismo em relação às células cancerígenas.

Existem diversos tipos de imunoterápicos com variados mecanismos de ação, e, dentre os tipos mais importantes, estão os “inibidores de checkpoints”.

Os linfócitos T são células de defesa importantes no combate ao crescimento de células tumorais. Essas células possuem pontos específicos, chamados de receptores. Eles funcionam como se ligassem ou desligassem nossas defesas relacionadas ao linfócitos T.  As células tumorais têm capacidade de produzir substâncias capazes de desligar esses receptores, fazendo com que o sistema imunológico não reconheça o tumor como uma ameaça ao organismo.

Os chamados “inibidores de checkpoints” inibem o possível “freio” aos linfócitos T, por último estimulando nossas defesas contra as células tumorais.  Dessa forma, existem na atualidade drogas específicas que atuam nesses receptores, permitindo que o sistema imunológico reconheça as células tumorais como uma grande ameaça.

Apesar de não ser uma idéia nova, os avanços na imunoterapia contra o câncer ocorreram a partir dos anos de 1980, quando pesquisadores identificaram a existência de receptores celulares capazes de estimular ou inibir o sistema imunológico de defesa. Outro aspecto positivo da imunoterapia é que os medicamentos possuem um perfil de toxicidade favorável, com efeitos colaterais habitualmente manejáveis na maioria dos casos.

Os primeiros resultados dessa nova abordagem terapêutica foram demonstrados em um tipo de tumor de pele após espalhar-se pelo corpo, o melanoma cutâneo metastático – tipo de câncer de pele grave. A seguir vieram estudos em outros tumores, como de pulmão, rim, cabeça e pescoço, entre outros.

Embora os resultados terapêuticos da imunoterapia sejam positivos e promissores, infelizmente, em determinados tipos de câncer, ela é altamente eficaz em alguns pacientes e não apresenta nenhum resultado em outros. Um dos grandes desafios é encontrar biomarcadores para seleção de quais pacientes se beneficiarão com a estratégia.

Artigo escrito por Alexandre Fonseca, Oncologista clínico da ONCOMED-BH e Hospital Felício Rocho

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Minas Gerais avança no transpalante de medula óssea em crianças

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Minas Gerais começa a contar com o tratamento de radioterapia de corpo total, conhecido como TBI (Total Body Irradiation). Realizado pela Radiocare – Centro Avançado de Radioterapia do Hospital Felício Rocho, o procedimento beneficia e aumenta as chances  de sucesso dos pacientes com diversas neoplasias, como leucemias e linfomas,  entre outras doenças. Além disso, o avanço permitirá que o estado comece a realizar o transplante de medula óssea em crianças com melhores resultados. “Para implantação desse novo tratamento, fizemos uma extensa pesquisa dos protocolos realizados no Brasil e no mundo e visitamos os serviços com maior número de casos realizado”, explica Leonardo Pimentel, radio-oncologista e coordenador da Radiocare.

Ao longo de vários meses, a Radiocare desenvolveu todas as etapas do programa de TBI e treinou profissionais para realizar o procedimento. A busca da perfeição na realização da técnica incluiu até mesmo o uso de um simulador do corpo humano. “Realizamos o tratamento várias vezes em um fantoma antropomórfico com resultados muito precisos”, relata o médico. O fantoma antropomórfico é um manequim no tamanho real de uma pessoa, com todos os tecidos humanos simulando as densidades reais do corpo tais como ossos, músculos e pulmões e as doses foram coletadas em diversos pontos críticos tais como o crânio, tórax e abdome.

Os primeiros pacientes já estão sendo tratados na clínica, hoje uma dos maiores do país. O programa de TBI pode ser acionado por qualquer médico que tenha pacientes com indicação para técnica, após contato prévio com o Radiocare.

 SOBRE A RADIOCARE

Com dez anos de atuação, a Radiocare – Centro Avançado de Radioterapia atende pacientes de todo o país e realiza diversas  técnicas disponíveis em apenas poucos lugares na América Latina. É ainda pioneira em diversas delas. Localizada no Hospital Felício Rocho, em Belo Horizonte/MG, a clínica dispõe de equipamentos de alta tecnologia para tratamentos com elevado padrão de qualidade. Seu corpo clínico é formado pelos médicos Leonardo Pimentel, Marcus Simões, Miguel Torres, Arnoldo Mafra, Ana Paula Porto, José Eduardo, Leonardo Gontijo e Mauro Murta. A equipe é ainda composta por físicos, enfermeiras e técnicos. Por ano são atendidos mais de 2000 novos pacientes.

Artigo escrito por Hipertexto Comunicação Empresarial

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Como ter uma consulta médica mais eficiente

Radiocare Centro avançado de Radioterapia

É comum percebermos que o paciente comparece à primeira consulta ansioso, repleto de dúvidas e medos. É até mesmo normal e esperado que isso ocorra. Contudo, todos esses sentimentos podem fazer com que o paciente não consiga entender e assimilar muitas orientações importantes nesse momento.

Na tentativa de tornar sua consulta médica mais eficaz, seguem algumas dicas preciosas:

  1. Chegue um pouco mais cedo que o horário agendado para não correr o risco de chegar atrasado. Assim, você terá tempo de fornecer, com tranquilidade, seus dados pessoais à secretária.
  2. Compareça à consulta médica com algum acompanhante, sempre que possível. Escolha um acompanhante que possa te auxiliar na compreensão das informações dadas pelo seu médico.
  3. Organize os exames médicos relacionados à sua doença, em ordem cronológica, em uma pasta arquivo. Exames de imagens, como mamografias, ultrassonografias, tomografias, ressonâncias, PET, resultados de biópsias, PSA, etc… são sempre importantes na hora da consulta. E sempre que fizer novos exames, atualize a sua pasta.
  4. Tire uma cópia dos exames mais importantes, porque pode ser necessário que seu médico fique com uma cópia deles.
  5. Procure saber seu histórico familiar de doenças e se tem alguma alergia medicamentosa.
  6. Traga consigo a lista de medicações que utiliza regularmente, com nome e dosagem, e ande sempre com essa lista.
  7. Anote em um papel as suas dúvidas mais importantes a respeito de sua doença e tratamento. É muito comum, durante a consulta, o paciente se esquecer de tirar uma dúvida importante. Durante o tratamento, o paciente terá consultas médicas periódicas, nas quais também poderá esclarecer outras dúvidas que por ventura surgirem.

É comum nos depararmos com situações nas quais o paciente traz para a consulta uma sacola repleta de exames desorganizados, não relacionados à sua doença e semos primordiais para sua avaliação médica. Em outras situações, os pacientes, na ansiedade que o momento traz, não conseguem se lembrar dos medicamentos que fazem de uso contínuo.

Seguindo essas dicas simples, a consulta médica será mais organizada e, tanto o médico poderá analisar melhor o caso, quanto o paciente terá mais tranquilidade e tempo para participar da consulta de maneira mais eficaz.

Artigo escrito por Stella Sala, radio-oncologista da Radiocare

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Como a radioterapia estereotáxica tem ajudado a combater o câncer

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A radioterapia estereotáxica, também conhecida como Radiocirurgia, SBRT ou SABR (StereotacticBodyRadiotherapy ou StereotacticAblativeradiotherapy) é uma técnica de radioterapia externa que alia a precisão da localização dos aparelhos modernos com altas doses de radioterapia, necessárias para atingir alguns tipos de tumores.

Na SBRT é utilizado um sistema de coordenadas tridimensional para localizar volumes-alvo no interior do corpo e, assim, direcionar feixes de radiação focados precisamente no tumor.

Para a execução dessa técnica, são necessárias: imagens detalhadas de tomografia computadorizada e de ressonância magnética; planejamento computadorizado tridimensional, e posicionamento de tratamento adequado para administrar a dose de radiação com precisão extrema, minimizando a ação sobre tecidos sadios.

Existem dois tipos de radiação estereotáxica:

  1. Radiocirurgia estereotáxica: refere-se a uma única aplicação de radioterapia estereotáxica realizada com vários feixes de radiação, convergindo-se sobre um alvo preciso, geralmente uma lesão localizada no cérebro ou coluna vertebral. Apesar da denominação, não é realizada cirurgia ou incisão com bisturi.
  2. Radioterapia Estereotáxica: refere-se a mais de uma aplicação de radioterapia estereotáxica sobre um alvo preciso. Geralmente, são realizadas de 3 a 8 frações com doses de radioterapia mais elevadas que o usual.

Essas duas modalidades de radioterapia são mais adequadas para tumores relativamente pequenos. Os médicos usam exames de imagens para localizar exatamente a lesão a ser tratada. Um suporte ou aparato imobilizador pode ser personalizado para manter o corpo completamente imóvel durante o tratamento. No caso da radiocirurgia ou radioterapia estereotáxica cerebral, utiliza-se um halo de metal preso sobre a cabeça ou uma máscara termoplástica especial para imobilizar e localizar precisamente o alvo.

Quando o halo de metal é usado, o mesmo é fixado ao crânio por um neurocirurgião. Esse especialista injeta um anestésico local logo abaixo do couro cabeludo, para anestesiar a área, e insere pinos especiais superficialmente aos ossos cranianos. Esses parafusos irão fixar o halo ao crânio. Os pinos fixadores do crânio e o halo são removidos após o término do tratamento. Cada radiocirurgia, dura, em média, de 20 a 50 minutos.

Quando o halo não é utilizado, usa-se uma máscara facial especial, que, ao ser derretida, é colocada ao redor da cabeça e molda exatamente os contornos da mesma, mantendo-a fixa e em posição de tratamento.

Uma das vantagens da radioterapia estereotáxica é a capacidade de entregar a quantidade adequada de radiação sobre o tumor em um curto período de tempo (geralmente um a oito dias, ao contrário de várias semanas). Além disso, o tratamento é entregue com extrema precisão, minimizando os efeitos colaterais sobre tecidos sadios adjacentes ao tumor. Ao final do procedimento, na grande maioria das vezes, não há necessidade do paciente ficar internado e o mesmo retorna para casa com a mesma condição clínica que adentrou ao departamento de radioterapia antes de ser tratado.

Essa técnica é adequada para pequenos tumores bem definidos, que podem ser visualizados através de exames de imagem. Portanto, essa abordagem não é adequada para todas as situações. Além disso, a dosagem de radiação fornecida com segurança pode ser limitada se a lesão está localizada próxima a uma estrutura ou órgão sensível, tal como a medula espinhal, tronco cerebral ou intestino. Geralmente, o tratamento gera edema (inchaço) de tecidos sadios próximos ao tumor, podendo gerar efeitos colaterais variados, que dependem da localização do mesmo. Pacientes com tumores cerebrais, por exemplo, podem apresentar piora parcial dos sintomas neurológicos durante alguns dias após o procedimento, que tendem a melhorar espontaneamente ou com tratamento adequado.

CONDIÇÕES QUE PODEM SER TRATADAS COM RADIAÇÃO ESTEREOTÁXICA

A radiocirurgiaestereotáxica é utilizada para tratar condições que envolvem o cérebro ou coluna vertebral, incluindo:

  • Tumores que se iniciam no cérebro (gliomas e outros tumores primários do sistema nervoso central)
  • Tumores que se disseminaram para o cérebro (metástases cerebrais)
  • Tumores que se disseminaram para a coluna vertebral (metástases ósseas)
  • Tumores benignos decorrentes das membranas que recobrem o cérebro (meningiomas)
  • Tumores benignos do ouvido interno (neurinoma do acústico)
  • Vasos sanguíneos anormais no cérebro (malformações arteriovenosas).

Radioterapia Estereotáxica Corporal é usada para tratar pequenos tumores no tórax, abdômen ou pelve, que não podem ser removidos cirurgicamente ou tratados com radioterapia convencional, incluindo:

  • Câncer de pulmão em estádios iniciais
  • Cânceres que se iniciaram em outro órgão e migraram para o pulmão (metástases pulmonares)
  • Cânceres que se iniciaram em outro órgão e migraram para o fígado (metástases hepáticas)

Esses exemplos abrangem as condições mais comumente tratadas, mas não correspondem a todas as possibilidades de tratamento com essa técnica. Os pacientes com tumores pequenos e pouco numerosos são os melhores candidatos à radioterapia estereotáxica. Nem todos os pacientes podem se beneficiar desse tipo de tratamento. Somente o radio-oncologista pode dizer se essa abordagem é uma opção para sua condição específica.

Artigo escrito por Leonardo Antônio G. Chamon, radio-oncologista da Radiocare

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Efeitos colaterais da radioterapia

Radiocare Centro avançado de Radioterapia

A radioterapia é um método de tratamento local, que pode ser indicado de forma exclusiva ou associado a outros processos, como cirurgia e/ou quimioterapia. O tratamento radioterápico consiste no direcionamento de radiação ao tumor ou volume a ser tratado, a fim de eliminar as células cancerígenas e, assim, controlar ou curar o câncer.

As técnicas modernas de radioterapia permitem que a radiação seja mais bem direcionada ao tumor, poupando órgãos sadios e minimizando danos às células normais. Mesmo com todo esse cuidado, tecidos saudáveis adjacentes são atingidos pela radiação e podem sofrer alterações, gerando efeitos colaterais.

Ao contrário do senso comum, os efeitos colaterais podem aparecer durante, ou mesmo após o término do tratamento. Como são cumulativos, espera-se o início dos efeitos mais intensos ao redor de duas a três semanas de tratamento. Por consistir num tratamento local, na maioria das vezes, os efeitos colaterais ficarão restritos à região irradiada.

Cada indivíduo reage de forma específica à radioterapia. Alguns apresentam mais efeitos que outros, sendo que a intensidade desses efeitos depende da dose do tratamento; da parte do corpo tratada; da extensão da área irradiada; do tipo de irradiação e da técnica radioterápica utilizada.

Alguns efeitos colaterais são comuns a todos os tratamentos com radioterapia:

  • Irritação da pele irradiada semelhante a uma reação ao sol, com vermelhidão, escurecimento ou bronzeado, coceira e, eventualmente, descamação.
  • Leve inchaço e sensibilidade aumentada na região tratada;
  • Fadiga (cansaço ou fraqueza). Nem todos os pacientes se sentem cansados durante o tratamento e alguns continuam trabalhando normalmente;
  • Redução do apetite;
  • Perda de pelos nos locais tratados.

Geralmente, esses efeitos agudos melhoram gradativamente após o término do tratamento. Além deles, outros podem surgir, dependendo da região a ser tratada.

São eles:

Região da Cabeça e pescoço: irritação das mucosas, gerando ardor e aftas na boca e garganta; diminuição da quantidade de saliva, com sensação de boca seca; aumento do risco de cáries; dor e dificuldade para engolir; alteração do paladar; rouquidão. Esses são efeitos agudos ou imediatos. Eles tendem a melhorar com tempo. Após meses ou anos podem surgir efeitos tardios ou persistirem alguns efeitos agudos, como a secura na boca, aumento no risco de cáries, fibrose ou endurecimento da região do pescoço.

Região Torácica: tosse; dor e dificuldade para engolir;

Região Abdominal: dor abdominal (cólicas); aumento de gases intestinais; náuseas ou vômitos; alterações do hábito intestinal, como diarreia;

Região Pélvica: ardor ao urinar e/ou evacuar; aumento do número de vezes que necessita urinar; cólicas intestinais; diarréia; sangramento nas fezes ou urina; ardor em região da vulva ou ânus; impotência sexual; infertilidade; sintomas da menopausa em mulheres.

Região da Mama: dor em pontada; aumento da temperatura e inchaço da mama; vermelhidão e escurecimento da pele; descamação e ardor da pele e do mamilo. Após meses ou anos pode surgir fibrose com endurecimento e redução da elasticidade da mama e perda da capacidade de lactação da mama irradiada.

Região de membros: vermelhidão e escurecimento da pele tratada principalmente em áreas de dobras, com eventual descamação e ardor; inchaço da região. Em logo prazo (meses ou anos), pode ocorrer fibrose de musculatura e pele, com eventual redução da mobilidade do membro.

É importante ressaltar que nem todos os efeitos colaterais irão se desenvolver durante o tratamento. Cada pessoa reage de forma específica à radioterapia. Existem os que apresentam efeitos colaterais acentuados e outros que atravessam todo o tratamento com mínimos efeitos e excelente tolerância. Grande parte das pessoas continua levando uma vida normal durante o processo e muitas trabalham normalmente.

E é importante lembrar que   o   médico   radio-oncologista   estará   sempre   disponível   para orientá-lo e somente ele poderá recomendar, com segurança, a melhor abordagem para cada caso. Ele acompanha cada paciente por meio de consultas regulares, realizando orientações e prescrevendo medicamentos sintomáticos, caso seja necessário.  Mas, existem alguns cuidados que todo paciente pode tomar em relação a determinados efeitos colaterais.

Cuidados:

Pele

USE:

  • Roupa de algodão na área tratada;
  • Lave a região com água morna;
  • Utilize Sabonete neutro;
  • Use desodorante sem alumínio e sem perfume;
  • Cremes hidratantes (caso seja necessário, o seu médico irá prescrever algum creme para uso local);
  • Proteja a área irradiada contra o sol para evitar piora da irritação cutânea.

NÃO USE:

  • Roupas apertadas;
  • Compressa fria ou quente;
  • Evite se barbear ou usar cremes de depilação na área afetada;
  • Perfumes ou loções na pele irradiada.

 

Fadiga:

  • Descanse nas horas livres;
  • Diminua as atividades ao se sentir fadigado. A fadiga desaparecerá com o tempo e costuma melhorar cerca de 30 dias após o término da radioterapia. Não existe nenhuma medicação que melhore o cansaço.

Perda de apetite e dificuldade para ingerir alimentos:

  • Diminua a quantidade de comida;
  • Aumente o número de refeições (comer pouco de 2 em 2 horas);
  • Mastigue bastante antes de deglutir;
  • Procure ingerir alimentos leves e variar a comida para melhorar o apetite;
  • Evite alimentos quentes ou picantes e bebidas ácidas durante o tratamento.

Náuseas, cólicas abdominais e diarreia: existem medicamentos sintomáticos a serem prescritos pelo seu médico, que irão aliviar esses sintomas. Após o término do tratamento, esses efeitos indesejados devem desaparecer dentro de algumas semanas.

Desejos de superação são comuns na difícil luta contra o câncer. Mesmo com o avanço da Medicina diagnóstica e das técnicas de radioterapia, ainda existem complicações graves e até mesmo, potencialmente fatais, decorrentes dos tratamentos. O certo a se fazer é ter uma relação próxima com sua equipe assistente e relatar todos os efeitos colaterais que aparecerem após o início do tratamento. Somente a equipe médica e, em especial, o radio-oncologista, possuem o conhecimento necessário para decidir o melhor a ser feito diante de cada situação.

Artigo escrito por Leonardo Antônio G. Chamon, radio-oncologista da Radiocare

“A opinião contida nesse Blog não necessariamente representa a opinião da Radiocare, não a vincula, e é de responsabilidade pessoal e exclusiva de quem a escreveu.”

Primeiros passos antes de você iniciar a radioterapia

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Antes de iniciar o tratamento você passará por uma consulta com o médico especialista, chamado de radio-oncologista ou radioterapeuta. Neste primeiro momento, é preciso que você apresente ao médico todos os exames que já foram realizados antes, para que ele analise o caso e defina o tipo de radioterapia indicada e a dose de radiação a ser utilizada.

Durante a consulta o médico irá orientá-lo sobre os objetivos e os possíveis efeitos colaterais. Além disso, solicitará uma tomografia computadorizada específica, na posição do tratamento. Pelo fato desse exame não ter como finalidade o diagnóstico e sim auxiliar no processo de aplicação, mesmo que você já tenha realizado alguma tomografia recente, é preciso fazer outra, seguindo as novas orientações.

O planejamento computadorizado é embasado nas imagens tomográficas. Assim, três planos dimensionais (chamada Radioterapia 3D) podem ser criados para ajustar melhor as áreas a serem tratadas, direcionando uma maior dose de radiação ao tumor e minimizando a dose em tecidos sadios. Uma vez atingido o planejamento ideal, o médico radio-oncologista avalia, através de gráficos e estatísticas, as doses que estão chegando em cada parte dos órgãos e dos volumes definidos como alvos.

Formas mais sofisticadas de radioterapia 3D, como a Radioterapia por Intensidade Modulada (IMRT) e também a Radioterapia Guiada por Imagem (IGRT), têm sido utilizadas. Essas tecnologias modernas de tratamento permitem que se direcione, com mais precisão, a radiação sobre o volume alvo, além de reduzir as doses nos órgãos normais, permitindo minimizar o risco de efeitos colaterais e seqüelas do tratamento.

Efeitos adversos da radioterapia

Normalmente, os efeitos das radiações são bem tolerados, principalmente quando é realizada uma radioterapia moderna. Os efeitos colaterais podem ser classificados em agudos e tardios de acordo com o aparecimento ainda durante as aplicações, logo após o término ou, muito tempo depois.

Efeitos agudos ou imediatos – Geralmente aparecem na segunda semana de tratamento e vão se reduzindo aos poucos algumas semanas após o término da terapia. Eles ocorrem, em sua maioria, nos tecidos que estiverem incluídos no campo de irradiação e devem ser tratados sintomaticamente, pois geralmente são bem tolerados e reversíveis. Um exemplo comum é irritação da pele e da mucosa.

Efeitos tardios: são menos frequentes e podem se manifestar por sangramentos, ulcerações, atrofias, fibroses ou persistência de alguns efeitos agudos. Normalmente, os efeitos se relacionam com a dose total absorvida e com o fracionamento utilizado. A cirurgia e a quimioterapia podem contribuir para o agravamento destes efeitos.

É importante que você discuta com seu médico radio-oncologista o benefício do seu tratamento e os riscos inerentes a ele. Também é fundamental que conheça as técnicas modernas de tratamento que estão disponíveis e, eventualmente não cobertas pelos planos de saúde no Brasil. Somente o médico radio-oncologista possui as melhores e mais atualizadas informações sobre qual a melhor técnica para cada caso específico.

Artigo escrito por Leonardo Chamon, Radio-oncologista do Radiocare

“A opinião contida nesse Blog não necessariamente representa a opinião da Radiocare, não a vincula, e é de responsabilidade pessoal e exclusiva de quem a escreveu.”

Como funciona a Radioterapia

Radiocare Centro avançado de Radioterapia

 

A radioterapia consiste na utilização de radiação ionizante (principalmente raios-X) para tratar o câncer e outras doenças. A radiação é capaz de impedir a multiplicação ou matar células tumorais e, dessa forma, pode ser usado para curar o câncer, impossibilitar que cresça ou, ainda, para aliviar sintomas como a dor.

O tratamento para eliminar as células tumorais consiste na radiação focada, porém os tecidos saudáveis adjacentes também são atingidos pela radiação e podem sofrer danos. No entanto, as células saudáveis são mais capazes de reparar a lesão gerada pela radiação, em comparação às células cancerígenas. Além disso, técnicas modernas de radioterapia muitas vezes permitem que a radiação seja mais bem direcionada ao tumor, poupando órgãos sadios, minimizando o dano às células normais adjacentes e reduzindo os efeitos colaterais. Assim, a radioterapia moderna é um tratamento que, em grande parte das vezes, gera resultados positivos, com efeitos colaterais toleráveis.

A radiação de feixe externo é gerada a partir de uma máquina, chamada Acelerador Linear. A radioterapia externa é administrada diariamente, durante várias semanas. Isso permite matar as células cancerígenas, enquanto dá tempo para que as células saudáveis se recuperarem. Com o fracionamento da dose de radioterapia, a tolerância dos tecidos normais é respeitada, minimizando os efeitos colaterais. Cada sessão dura de 5 a 10 minutos. A radiação não é visível e, durante a aplicação, o paciente não sente nada.

Em alguns casos, a radioterapia será combinada à cirurgia, podendo ser utilizada antes (pré-operatória) ou após (pós-operatória) a mesma. O objetivo da radioterapia pré-operatória é o de promover uma regressão tumoral, possibilitando uma cirurgia mais eficaz ou minimizar o risco do retorno do tumor após sua retirada. Pode ser indicada também antes, durante ou após a quimioterapia, que é o uso de medicamentos específicos contra o câncer. Isso vai depender do tipo de tumor e da escolha do tratamento ideal para superar a doença.

 

Artigo escrito por Leonardo Chamon, Radio-oncologista do Radiocare

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