Braquiterapia de próstata – uma opção no tratamento curativo do câncer de próstata

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A braquiterapia de próstata é uma forma de tratamento oncológico curativa para o câncer da próstata que tem demonstrado resultados similares a cirurgia e até mesmo superior a radioterapia tradicional em algumas situações. Durante o procedimento são inseridas fontes radioativas, de forma permanente ou temporária, na próstata e ao seu redor, com intuito de matar ou esterilizar as células cancerosas. O tratamento pode variar de acordo com o tipo de radiação utilizada e se será exclusivo ou associado com radioterapia externa.

Conheça os dois tipos:

Braquiterapia permanente: também chamada de baixa taxa de dose, envolve o implante definitivo de sementes radioativas, que liberam a radiação lentamente, ao longo dos meses subseqüentes. Nessa forma de tratamento, geralmente são utilizados sementes semelhantes a “grãos de arroz”, que nada mais são que minúsculos cilindros metálicos contendo o elemento radioativo. No Brasil é utilizado, normalmente, o Iodo 125.

Braquiterapia temporária: as fontes radioativas são inseridas por um robô, que controla precisamente o tempo da fonte em cada posição dentro da próstata. Nesse procedimento a radiação é depositada durante o tempo que a fonte radioativa está inserida e, uma vez terminado o procedimento, não há mais radiação no paciente. Também é chamada de braquiterapia de alta taxa de dose.

O intuito de ambas as técnicas é curar o câncer ou aumentar as chances de cura do tratamento planejado. As duas possuem vantagens e desvantagens e a indicação depende de vários fatores que são avaliados pelo radio-oncologista assistente, médico especialista no uso das radiações terapêuticas. Trata-se de uma especialidade médica pouco conhecida no Brasil, mas extremamente importante no tratamento dos diversos tipos de câncer.

A braquiterapia tem mostrado resultados similares à cirurgia no tratamento do câncer de próstata. Em algumas situações, as chances de cura são até mesmo superiores quando é utilizada a braquiterapia asssociada à radioterapia externa se comparada à radioterapia externa isolada.

Os riscos da braquiterapia são parecidos com os riscos das outras modalidades de tratamento do câncer de próstata. De uma maneira geral e, se bem selecionados os pacientes, o risco de incontinência urinária tende a ser menor que a cirurgia, assim como da disfunção erétil ou impotência sexual. Infelizmente, o risco de dano ao trato gastrointestinal, tais como o reto, é maior quando comparado à radioterapia externa isolada ou a cirurgia radical. A chance de complicações graves, tais como fístulas e perfurações é muito baixo, historicamente em torno de 0,5%. Entretanto, essas taxas têm sido menores em estudos mais recentes.

A braquiterapia pode ainda não ser a solução perfeita com risco zero de complicações e chance de cura de cem por cento, mas certamente é uma técnica que oferece algumas vantagens em relação ao tratamento cirúrgico ou de radioterapia externa isolado e possui baixa taxa de complicações severas. O médico Radio-oncologista é o principal especialista no uso da braquiterapia. Procure saber a respeito e se o seu caso pode ser candidato à técnica.

Artigo escrito por Dr. Leonardo Pimentel, Radio-oncologista da Radiocare

“A opinião contida nesse Blog não necessariamente representa a opinião da Radiocare, não a vincula, e é de responsabilidade pessoal e exclusiva de quem a escreveu.”

 

Como ter uma consulta médica mais eficiente

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É comum percebermos que o paciente comparece à primeira consulta ansioso, repleto de dúvidas e medos. É até mesmo normal e esperado que isso ocorra. Contudo, todos esses sentimentos podem fazer com que o paciente não consiga entender e assimilar muitas orientações importantes nesse momento.

Na tentativa de tornar sua consulta médica mais eficaz, seguem algumas dicas preciosas:

  1. Chegue um pouco mais cedo que o horário agendado para não correr o risco de chegar atrasado. Assim, você terá tempo de fornecer, com tranquilidade, seus dados pessoais à secretária.
  2. Compareça à consulta médica com algum acompanhante, sempre que possível. Escolha um acompanhante que possa te auxiliar na compreensão das informações dadas pelo seu médico.
  3. Organize os exames médicos relacionados à sua doença, em ordem cronológica, em uma pasta arquivo. Exames de imagens, como mamografias, ultrassonografias, tomografias, ressonâncias, PET, resultados de biópsias, PSA, etc… são sempre importantes na hora da consulta. E sempre que fizer novos exames, atualize a sua pasta.
  4. Tire uma cópia dos exames mais importantes, porque pode ser necessário que seu médico fique com uma cópia deles.
  5. Procure saber seu histórico familiar de doenças e se tem alguma alergia medicamentosa.
  6. Traga consigo a lista de medicações que utiliza regularmente, com nome e dosagem, e ande sempre com essa lista.
  7. Anote em um papel as suas dúvidas mais importantes a respeito de sua doença e tratamento. É muito comum, durante a consulta, o paciente se esquecer de tirar uma dúvida importante. Durante o tratamento, o paciente terá consultas médicas periódicas, nas quais também poderá esclarecer outras dúvidas que por ventura surgirem.

É comum nos depararmos com situações nas quais o paciente traz para a consulta uma sacola repleta de exames desorganizados, não relacionados à sua doença e semos primordiais para sua avaliação médica. Em outras situações, os pacientes, na ansiedade que o momento traz, não conseguem se lembrar dos medicamentos que fazem de uso contínuo.

Seguindo essas dicas simples, a consulta médica será mais organizada e, tanto o médico poderá analisar melhor o caso, quanto o paciente terá mais tranquilidade e tempo para participar da consulta de maneira mais eficaz.

Artigo escrito por Stella Sala, radio-oncologista da Radiocare

“A opinião contida nesse Blog não necessariamente representa a opinião da Radiocare, não a vincula, e é de responsabilidade pessoal e exclusiva de quem a escreveu.”

Como a radioterapia estereotáxica tem ajudado a combater o câncer

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A radioterapia estereotáxica, também conhecida como Radiocirurgia, SBRT ou SABR (StereotacticBodyRadiotherapy ou StereotacticAblativeradiotherapy) é uma técnica de radioterapia externa que alia a precisão da localização dos aparelhos modernos com altas doses de radioterapia, necessárias para atingir alguns tipos de tumores.

Na SBRT é utilizado um sistema de coordenadas tridimensional para localizar volumes-alvo no interior do corpo e, assim, direcionar feixes de radiação focados precisamente no tumor.

Para a execução dessa técnica, são necessárias: imagens detalhadas de tomografia computadorizada e de ressonância magnética; planejamento computadorizado tridimensional, e posicionamento de tratamento adequado para administrar a dose de radiação com precisão extrema, minimizando a ação sobre tecidos sadios.

Existem dois tipos de radiação estereotáxica:

  1. Radiocirurgia estereotáxica: refere-se a uma única aplicação de radioterapia estereotáxica realizada com vários feixes de radiação, convergindo-se sobre um alvo preciso, geralmente uma lesão localizada no cérebro ou coluna vertebral. Apesar da denominação, não é realizada cirurgia ou incisão com bisturi.
  2. Radioterapia Estereotáxica: refere-se a mais de uma aplicação de radioterapia estereotáxica sobre um alvo preciso. Geralmente, são realizadas de 3 a 8 frações com doses de radioterapia mais elevadas que o usual.

Essas duas modalidades de radioterapia são mais adequadas para tumores relativamente pequenos. Os médicos usam exames de imagens para localizar exatamente a lesão a ser tratada. Um suporte ou aparato imobilizador pode ser personalizado para manter o corpo completamente imóvel durante o tratamento. No caso da radiocirurgia ou radioterapia estereotáxica cerebral, utiliza-se um halo de metal preso sobre a cabeça ou uma máscara termoplástica especial para imobilizar e localizar precisamente o alvo.

Quando o halo de metal é usado, o mesmo é fixado ao crânio por um neurocirurgião. Esse especialista injeta um anestésico local logo abaixo do couro cabeludo, para anestesiar a área, e insere pinos especiais superficialmente aos ossos cranianos. Esses parafusos irão fixar o halo ao crânio. Os pinos fixadores do crânio e o halo são removidos após o término do tratamento. Cada radiocirurgia, dura, em média, de 20 a 50 minutos.

Quando o halo não é utilizado, usa-se uma máscara facial especial, que, ao ser derretida, é colocada ao redor da cabeça e molda exatamente os contornos da mesma, mantendo-a fixa e em posição de tratamento.

Uma das vantagens da radioterapia estereotáxica é a capacidade de entregar a quantidade adequada de radiação sobre o tumor em um curto período de tempo (geralmente um a oito dias, ao contrário de várias semanas). Além disso, o tratamento é entregue com extrema precisão, minimizando os efeitos colaterais sobre tecidos sadios adjacentes ao tumor. Ao final do procedimento, na grande maioria das vezes, não há necessidade do paciente ficar internado e o mesmo retorna para casa com a mesma condição clínica que adentrou ao departamento de radioterapia antes de ser tratado.

Essa técnica é adequada para pequenos tumores bem definidos, que podem ser visualizados através de exames de imagem. Portanto, essa abordagem não é adequada para todas as situações. Além disso, a dosagem de radiação fornecida com segurança pode ser limitada se a lesão está localizada próxima a uma estrutura ou órgão sensível, tal como a medula espinhal, tronco cerebral ou intestino. Geralmente, o tratamento gera edema (inchaço) de tecidos sadios próximos ao tumor, podendo gerar efeitos colaterais variados, que dependem da localização do mesmo. Pacientes com tumores cerebrais, por exemplo, podem apresentar piora parcial dos sintomas neurológicos durante alguns dias após o procedimento, que tendem a melhorar espontaneamente ou com tratamento adequado.

CONDIÇÕES QUE PODEM SER TRATADAS COM RADIAÇÃO ESTEREOTÁXICA

A radiocirurgiaestereotáxica é utilizada para tratar condições que envolvem o cérebro ou coluna vertebral, incluindo:

  • Tumores que se iniciam no cérebro (gliomas e outros tumores primários do sistema nervoso central)
  • Tumores que se disseminaram para o cérebro (metástases cerebrais)
  • Tumores que se disseminaram para a coluna vertebral (metástases ósseas)
  • Tumores benignos decorrentes das membranas que recobrem o cérebro (meningiomas)
  • Tumores benignos do ouvido interno (neurinoma do acústico)
  • Vasos sanguíneos anormais no cérebro (malformações arteriovenosas).

Radioterapia Estereotáxica Corporal é usada para tratar pequenos tumores no tórax, abdômen ou pelve, que não podem ser removidos cirurgicamente ou tratados com radioterapia convencional, incluindo:

  • Câncer de pulmão em estádios iniciais
  • Cânceres que se iniciaram em outro órgão e migraram para o pulmão (metástases pulmonares)
  • Cânceres que se iniciaram em outro órgão e migraram para o fígado (metástases hepáticas)

Esses exemplos abrangem as condições mais comumente tratadas, mas não correspondem a todas as possibilidades de tratamento com essa técnica. Os pacientes com tumores pequenos e pouco numerosos são os melhores candidatos à radioterapia estereotáxica. Nem todos os pacientes podem se beneficiar desse tipo de tratamento. Somente o radio-oncologista pode dizer se essa abordagem é uma opção para sua condição específica.

Artigo escrito por Leonardo Antônio G. Chamon, radio-oncologista da Radiocare

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Como funciona a Radioterapia

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A radioterapia consiste na utilização de radiação ionizante (principalmente raios-X) para tratar o câncer e outras doenças. A radiação é capaz de impedir a multiplicação ou matar células tumorais e, dessa forma, pode ser usado para curar o câncer, impossibilitar que cresça ou, ainda, para aliviar sintomas como a dor.

O tratamento para eliminar as células tumorais consiste na radiação focada, porém os tecidos saudáveis adjacentes também são atingidos pela radiação e podem sofrer danos. No entanto, as células saudáveis são mais capazes de reparar a lesão gerada pela radiação, em comparação às células cancerígenas. Além disso, técnicas modernas de radioterapia muitas vezes permitem que a radiação seja mais bem direcionada ao tumor, poupando órgãos sadios, minimizando o dano às células normais adjacentes e reduzindo os efeitos colaterais. Assim, a radioterapia moderna é um tratamento que, em grande parte das vezes, gera resultados positivos, com efeitos colaterais toleráveis.

A radiação de feixe externo é gerada a partir de uma máquina, chamada Acelerador Linear. A radioterapia externa é administrada diariamente, durante várias semanas. Isso permite matar as células cancerígenas, enquanto dá tempo para que as células saudáveis se recuperarem. Com o fracionamento da dose de radioterapia, a tolerância dos tecidos normais é respeitada, minimizando os efeitos colaterais. Cada sessão dura de 5 a 10 minutos. A radiação não é visível e, durante a aplicação, o paciente não sente nada.

Em alguns casos, a radioterapia será combinada à cirurgia, podendo ser utilizada antes (pré-operatória) ou após (pós-operatória) a mesma. O objetivo da radioterapia pré-operatória é o de promover uma regressão tumoral, possibilitando uma cirurgia mais eficaz ou minimizar o risco do retorno do tumor após sua retirada. Pode ser indicada também antes, durante ou após a quimioterapia, que é o uso de medicamentos específicos contra o câncer. Isso vai depender do tipo de tumor e da escolha do tratamento ideal para superar a doença.

 

Artigo escrito por Leonardo Chamon, Radio-oncologista do Radiocare

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Cuidados com a pele durante a radioterapia na mama

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O câncer de mama é o mais frequente nas mulheres e, ainda assim, levanta muitas dúvidas. Quando diz respeito ao tratamento da radioterapia, a pergunta mais repetida nos consultórios é sobre o uso de cremes para minimizar ou reverter os efeitos colaterais da radiação.

A radioterapia, ao entrar em contato com a pele, provoca alguns efeitos indesejados. A região irradiada se torna mais avermelhada por dilatação das veias e, progressivamente, se desidrata, apresentado uma coloração mais escura. Esses efeitos se assemelham aos da radiação solar e são reações normais.

Ao final do tratamento, a mama que passou pelo procedimento tende a ficar um pouco mais escura da que não foi irradiada. Estudos realizados pelo radio-oncologista Marcus Castilho, revelam que, após três a seis meses, essa coloração volta a ficar semelhante, na maioria dos casos. As áreas mais sensíveis à radiação são o bico do seio; a região inferior da mama em contato com o tórax e a da axila.

Para que a pele reaja melhor ao tratamento, recomendo uma série de cuidados. Iniciando pelo trabalho do médico profissional responsável pelo caso, é preciso que haja um planejamento por parte dele na escolha da técnica mais indicada para o paciente, dentre as várias opções. Cada caso merece ser estudado com atenção.

No entanto, a participação das pacientes também é muito importante e, certamente,  contribuirá para a melhor tolerância da pele.

Recomendações:

  • Use roupa de algodão na área tratada.
  • Lave a região com água morna.
  • Use sabonete neutro.
  • Use desodorante sem alumínio e sem  perfume.
  • Use creme hidratante.
  • Não use compressa fria ou quente.
  • Evite expor a área irradiada ao sol.
  • Evite piscina com cloro.

 

Em alguns casos, mesmo que o paciente tome os devidos cuidados, a pele poderá apresentar reações um pouco mais intensas. Por isso, dependendo do caso, é necessário suspender por alguns dias o tratamento para uma recuperação mais rápida. Lembrando que, caso haja a indicação de uma suspensão curta e temporária, isso não irá interferir na eficiência do tratamento.

Quanto aos cremes, diferentes produtos podem ser utilizados para a hidratação da pele, quando necessário. Estudos não demonstraram superioridade significativa entre produtos de diferentes marcas,  logo não descarta a eficiência de cremes comuns, facilmente encontrados em farmácias de todo o país.

O médico radio-oncologista poderá sugerir o uso, após examinar o paciente e constatar a necessidade. A sugestão do melhor creme e da freqüência que ele deve ser utilizado depende do grau de irritação da pele e da presença ou não de feridas. Como norma geral, deve-se evitar pomadas que contenham antibióticos, além de evitar sol direto sem filtro solar. Essa última é uma das medidas mais  fáceis de adotar e que contribui significativamente para evitar a adição de toxicidade sobre a pele. Normalmente, esses cuidados devem ser mantidos até a reversão quase completa do escurecimento da pele. Lembrando que o médico radio-oncologista estará sempre disponível para orientar as pacientes e, somente ele poderá recomendar, com segurança, a melhor abordagem para cada caso.

 

Artigo escrito por  Miguel Torres Teixeira Leite, Radio-oncologista do Radiocare

“A opinião contida nesse Blog não necessariamente representa a opinião da Radiocare, não a vincula, e é de responsabilidade pessoal e exclusiva de quem a escreveu.”